35 Anos de Gaiares: Um Desafio Extremo no Mega Drive

Gaiares foi lançado no dia 26 de dezembro de 1990 pela Telenet Japan para o Mega Drive. Naquele período, o 16-bits da SEGA já era conhecido por ter uma biblioteca fantástica e recheada de jogos do gênero shoot’em up, os “jogos de nave”. Gaiares apareceu como mais uma adição para o subgênero horizontally scrolling shooter, jogo de nave de rolagem horizontal. O game chamou a atenção pelos visuais em geral e por uma trama inesperadamente densa, mas o que se destacou foi sua dificuldade extrema, mesmo sendo uma característica muito comum em títulos do gênero. A seguir, confira o review do Gaiares em seu aniversário de 35 anos.

Review do Gaiares
Créditos: Telenet Japan

O Significado de “Gaiares” ou “Gaiaresu”

Review do Gaiares: História

De uma forma geral, os jogos de nave não se destacam por suas tramas, mas a Telenet Japan fez questão de entregar uma história muito interessante, a começar pela criatividade do nome de seu jogo. Gaiares é a união do prefixo “Gaia”, a personificação da Terra na mitologia grega, e o sufixo “less”, que significa “menos” em inglês. Na língua japonesa, a maioria das palavras termina em vogal. Por essa razão, eles adaptam palavras estrangeiras que terminam em consoantes, como o S de “less”, colocando uma vogal para pronunciar. Além disso, o idioma não distingue os sons de L e R, utilizando um único fonema representado pelo caractere ら (ra) e suas variações. Por isso, “less” é adaptado como レス (resu). Assim, o nome original do jogo é pronunciado “Gaiaresu“, em vez de “Gaialessu”.

Na localização ocidental de fevereiro de 1991, o título foi simplificado para o nome que já conhecemos: Gaiares. Tendo esta explicação em mente, podemos entender que o nome do jogo significa algo como “Mundo Sem Terra”, “Terra Perdida”, “Terra Ausente”. A razão é que no ano 3008, a Terra se tornou um depósito de lixo tóxico, fruto da negligência humana, o que resultou em um local inabitável. A situação ficou crítica ao ponto de não haver mais vida no planeta e os humanos estarem quase extintos e vivendo em uma colônia espacial.

Créditos: Telenet Japan

Neste contexto, o lixo de uns pode ser o tesouro de outros. Os piratas espaciais alienígenas Gulfer, liderados pela principal antagonista de Gaiares, a Rainha ZZ Badnusty, planejam utilizar de toda a poluição da Terra para criar armas de destruição em massa. Temendo pelo pior, Leezaluth, o império governante da galáxia, enviou um aviso aos humanos sobreviventes afirmando que eles deveriam deter os Gulfer. Caso contrário, Leezaluth transformaria o sol em uma supernova, causando uma explosão que destruiria a Terra e impediria os planos de ZZ Badnusty. Ainda havia outro detalhe: se os humanos conseguissem impedir os Gulfer, Leezaluth daria um novo planeta como a Terra para eles viverem.

Os humanos tinham um novo caça estelar para combater os Gulfer, e o escolhido para pilotar foi o jovem piloto Diaz ou Dan Dare, na localização ocidental. A nave utiliza de uma arma experimental de Leezaluth, a TOZ System, que é operada por uma princesa alienígena chamada Alexis, a amada do nosso herói. Toda esta introdução é contada por uma cutscene de mais de 7 minutos e que contam com bonitas cenas no estilo anime. Curiosamente, os alienígenas em Gaiares, como ZZ Badnusty e Alexis, possuem a aparência humana.

Créditos: LongPlayArchive

TOZ System e Memorização

Review do Gaiares: Jogabilidade

Gaiares é um jogo de nave de rolagem horizontal, o que significa que a nave voa para frente, em vez de para cima. O TOZ System mencionado no tópico sobre a história também é uma parte crucial da jogabilidade de Gaiares e um detalhe que o torna muito original quando comparamos a outros jogos do gênero. Esse sistema faz com que Gaiares não conte com os clássicos powerups flutuando na tela para o jogador coletar. Tudo envolve um drone que acompanha a nossa nave. Ao lançar o drone contra um inimigo, ele pega as informações do inimigo para que a nave possa aprender uma nova arma. Há dois detalhes importantes sobre o sistema:

  • Evolução: se você capturar a mesma arma diversas vezes, ela vai evoluir e se tornar cada vez mais forte;
  • Variedade: Gaiares conta com 18 tipos de armas diferentes, o que incentiva o jogador a experimentar todas elas e intensifica o fator replay.
Créditos: Telenet Japan

Tudo muito interessante, mas, agora, surgem problemas: o primeiro é que Gaiares é extremamente difícil, injusto e punitivo. Além de o sistema de checkpoint ser terrível e as fases serem muito longas, com exceção da oitava e última fase que é o “Final Boss“, a morte também significa que você retorna com a arma padrão, que é horrível. Se você morre em uma área avançada, e os inimigos não têm armas boas para usar o TOZ System, significa que a jogatina pode ter encontrado o seu fim, mesmo que você ainda tenha vidas.

Das 18 armas, poucas são, realmente, úteis. É necessário focar apenas em uma e ir avançando e evoluindo apenas com ela. Memorização é o termo chave em Gaiares. Caso você não saiba qual arma roubar e, principalmente, como se posicionar em cada mísero centímetro nas fases e contra os chefes, os seus reflexos, por melhores que eles sejam, serão inúteis. É um jogo brutal para aqueles que desejam se desafiar.

Créditos: Telenet Japan

Um Sólido Visual

Review do Gaiares: Gráficos

Gaiares entrega uma boa experiência visual, batendo de frente com os melhores jogos do gênero no Mega Drive. Para começar, temos as cenas em anime, que, embora simples, são bonitas e cumprem o papel de contar a história. Durante a jogatina vemos muitos objetos na tela, sem afetar a taxa de quadros, e múltiplas camadas de parallax para levar a sensação de profundidade. Os gráficos são muito competentes, mas se tem algo que realmente brilha em Gaiares são os chefes. Os sprites dos bosses são gigantescos e ainda possuem várias partes que se movem, o que concedem a eles um ar ainda mais bonito e ameaçador.

Créditos: Telenet Japan

Um Inconsistente Som

Review do Gaiares: Música

A trilha sonora de Gaiares foi composta por Shinobu Ogawa, conhecido também por seus trabalhos em Valis: The Fantasm Soldier, Valis II e Valis III. Ele buscou mesclar os gêneros rock’n roll com techno, tentando ao máximo acompanhar o ritmo do shoot’em up. Em algumas fases, a música é um espetáculo, mas em outros, ela passa muito despercebida. É uma trilha, infelizmente, inconsistente. Por isso, é bom destacar apenas aquelas que vale a pena, como “Opening Theme”, “Mission 1”, “Mission 3” e “Mission 4”.

Conclusão

Review do Gaiares: Conclusão

Neste review do Gaiares, vimos que ele é um jogo com suas inconsistências e que não é para qualquer um. Vale a pena conferir este clássico de Mega Drive 35 anos após seu lançamento, mas é necessário ter em mente que ele não tem pena alguma do jogador. É um desafio real e que vai exigir enorme paciência do começo ao fim, principalmente por conta da necessidade de memorização para aplicar o TOZ System da melhor forma e, obviamente, para evitar os projéteis no geral. Foi um grande trabalho dos designers Koji Yokota (ActRaiser, Soul Blazer, Ilusion of Gaia) e Masayasu Yamamamoto (Alundra 2, Pokémon Mystery Dungeon)

Feliz aniversário de 35 anos, Gaiares!

Fontes: HardcoreGaming101 e Shmups