35 Anos de The Krion Conquest: O Mega Man de Mago
The Krion Conquest foi lançado no Japão como “Magical Kids Doropie” no dia 14 de dezembro de 1990 pela Vic Tokai. O game de NES (Nintendinho) chegou ao ocidente apenas no ano seguinte, mudando o nome para o The Krion Conquest que conhecemos. Logo à primeira vista, é inevitável não pensarmos que se tratava de um clone de Mega Man, da Capcom, mas com uma protagonista feminina e “mágica”. O robô azul era um sucesso absoluto na época, e muitos jogos se inspiravam em sua fórmula. Magical Kids Doropie ou apenas Magical Doropie, no entanto, exagerou um pouco na dose, mas será mesmo que o título da Vic Tokai não possui nenhuma originalidade ao ponto de não merecer ser lembrado? É o que veremos, a seguir, no review do The Krion Conquest em seu aniversário de 35 anos.

A Batalha de Doropie
Review do The Krion Conquest: História
Em relação à trama, temos diferenças entre a versão ocidental de 1991, The Krion Conquest, e a aniversariante japonesa de 1990, Magical Kids Doropie, que chamaremos apenas pelo seu nome abreviado, Magical Doropie. Na versão americana, não houve muito esforço para realizar sua localização. Em resumo, The Krion Conquest conta com a protagonista embarcando em uma jornada para salvar o mundo do batalhão de robôs do Império Krion. Vale ressaltar que a feiticeira Doropie é conhecida como Francesca fora do Japão. Como os diálogos foram retirados da versão ocidental, a história ficou extremamente vaga.
No Japão, a trama já conta com um pouco mais de atenção. O jogador se vê em meio a uma guerra perdida após o Império Akudama atacar a terra com seu exército de robôs. Como as máquinas só são vulneráveis a magias, o mercenário Kagemaru invoca a bruxa selada chamada Doropie para ajudá-los. A história aqui ainda envolve uma antiga inimiga de Doropie, a Imperatriz Elysia, uma antagonista que chantageia a feiticeira para também ter seu selo quebrado. Há muito mais drama e desenvolvimento, muito por conta das ótimas cutscenes entre as fases.

Sistema de Magia e Dificuldade Elevada
Review do The Krion Conquest: Jogabilidade
É impossível não compararmos a gameplay de The Krion Conquest com Mega Man. Tudo o que vemos e jogamos remete ao robô azul da Capcom, mas, apesar da inspiração gigantesca, há, sim, ideias bem originais por parte da Vic Tokai. Começando com a base do game, The Krion Conquest coloca o jogador em uma sequência linear de fases, diferentemente do Mega Man, que podemos escolher as primeiras fases de Robot Masters. Já desde o começo, Doropie (Francesca) pode disparar diferentes projéteis de sua varinha, dependendo do poder ou feitiço que o jogador seleciona. A cor da roupa de Doropie também muda ao trocar o feitiço. Quando finalizamos uma fase na versão japonesa, somos recompensados com cutscenes, que lembram muito as cutscenes utilizadas na trilogia Ninja Gaiden, da Tecmo, no NES.
Os poderes de Doropie são os seguintes:
- Disparo Normal (Normal Shot): Roupa Vermelha
- Phoenix Ability: Roupa Rosa (disparo de fogo)
- Freeze Shot: Roupa Azul (disparo congelante)
- The Boucing Ball Shot: Roupa Verde (disparo de bolinhas que quicam)
- Shield Ability: Roupa Laranja (habilidade de escudo)
- Broom Ability: Roupa Roxa (habilidade da vassoura)
Embora seja quase que uma “cópia” de Mega Man, The Krion Conquest contou com diferenças que até ajudavam na jogatina, como atirar para cima, se agachar para desviar de inimigos e carregar a magia. Por sinal, a ideia de “carregar o disparo” ainda não existia na série Mega Man em 1990 e só foi adicionada em 1991 no Mega Man 4.
Apesar de haver recursos que facilitassem a vida do jogador, Magical Doropie limitava todos os poderes em uma única barra de magia, forçando o jogador a gerenciar os feitiços de forma muito estratégica. O jogo também é um verdadeiro teste de paciência. Além de já ser bem difícil, ele não conta com opção de salvar ou password, como em Mega Man, obrigando o jogador a zerar em apenas uma sessão. Taxa de dano alta, inimigos traiçoeiros. É um desafio e tanto!

Um Charme 8-bit
Review do The Krion Conquest: Gráficos
Os cenários e a própria Doropie (Francesca) carregam, e muito, inspirações de Mega Man, como já comentamos aqui em outras oportunidades. Entretanto, a Vic Tokai fez isso com certo carinho. Magical Doropie é um jogo muito bonito, os sprites possuem um bom número de detalhes, há variações boas no level design das fases, as cutscenes são um espetáculo à parte e temos um excelente uso da paleta de cores também. Além das cutscenes terem sido lamentavelmente removidas da versão americana (The Krion Conquest), ainda houve uma censura de um hexagrama que aparecia no final de cada fase em Magical Doropie por conta da política da Nintendo of America de evitar conteúdo religioso.

E Mais Mega Man
Review do The Krion Conquest: Música
Mega Man é inevitável em The Krion Conquest. Os compositores foram Masaki Kase (Shock Troopers e Shock Troopers: 2nd Squad) e Kiyoshi Yokoyama (The Astyanax). Beira o impossível ouvir qualquer música do jogo da Vic Tokai e não se lembrar da série Mega Man. A trilha sonora é idêntica e, também, muito boa. Entre os destaques, citamos os temas dos chefes.
Conclusão
O Mega Man Feminino, o Mega Man Maguinho. Enfim, como tanto falamos neste review do The Krion Conquest, o game viveu de comparações com o sucesso da Capcom. A Vic Tokai poderia ter evitado isso, se tivesse ousado mais no design como um todo. Apesar de tudo, o jogo não é ruim e entrega um bom desafio. Bem, talvez a versão americana, The Krion Conquest, possa entregar um desafio um pouco mais injusto por conta da ausência de continues e de vidas extras, retiradas na localização. Mesmo assim, vale a pena você conferir este curioso jogo que surgiu já na reta final do Nintendinho.
Feliz aniversário de 35 anos, The Krion Conquest / Magical Doropie!
Fontes: Classic Games e Hardcoregaming