30 Anos de Tengai Makyō Zero: Um Gigante Adormecido nos 16-Bits

Tengai Makyō Zero foi lançado no Japão no dia 22 de dezembro de 1995 para o Super Famicom pela Red Company em parceria com a Hudson Soft. O jogo foi o oitavo título da aclamada franquia de games Tengai Makyō, também chamada de Far East of Eden, que contou com um total de 14 jogos lançados entre 1989 e 2006. Infelizmente, apenas um spin-off para Neo Geo, Far East of Eden: Kabuki Klash (1995), ganhou localização para o ocidente. No Super Famicom, o RPG se destacou logo de cara por utilizar de um cartucho “pesado” que contava com o poderoso e à frente de seu tempo chip especial SPC7110, limitado a apenas três jogos do console. Mas, o que esse chip tinha de tão especial? A seguir, confira tudo no review do Tengai Makyō Zero em seu aniversário de 30 anos.

Review do Tengai Makyō Zero
Créditos: Red Company

Uma Aventura por Jipang

Review do Tengai Makyō Zero: História

Em Tengai Makyō Zero, temos o clássico clichê do “herói escolhido”, muito comum dos anos 80 até os anos 90. A aventura se passa no mundo de Jipang, que é uma versão alternativa do Japão feudal. A crise se inicia quando um príncipe maligno liberta o Lorde Demônio Ninigi, que sela os deuses de Jipang e, com isso, passa a oprimir os povos dos seis reinos desde mundo. Em um dos ataques dos capangas demônios de Ninigi, eles acabam assassinando um senhor que se revelaria ser o avô do protagonista de Tengai Makyō Zero, Higan.

Após a morte de seu avô, Higan descobre que é o lendário “Fire Hero” (Herói de Fogo) e que deve partir para salvar Jipang da tirania de Ninigi, despertando os deuses e selando todo o mal que oprime os reinos. Vale destacar que Tengai Makyō Zero, assim como toda a série Far East of Eden, é conhecida pelo humor ácido com uma mescla muito interessante entre momentos bobos e épicos ao mesmo tempo.

Créditos: Lynx Lancer Plays

Personal Life Game System

Review do Tengai Makyō Zero: Jogabilidade

Tengai Makyō Zero bebe muito de duas fontes: Phantasy Star, da SEGA, e Dragon Quest, da Chunsoft e Heartbeat na época. De Phantasy Star, mais especificamente Phantasy Star II (1989) e Phantasy Star IV: The End of the Millenium (1993), temos em Tengai Makyō Zero as batalhas sendo realizadas na perspectiva em terceira pessoa e são muito bonitas, por sinal. Já o sistema de batalha tem todo o estilo de Dragon Quest, na hora das lutas, nos encontros aleatórios e na forma como se aprende novas habilidades.

Definitivamente, não há muita originalidade por aqui. A exploração é longa, porém, normal, os personagens não têm grande desenvolvimento, e o jogo é considerado um “grind-heavy game“, o que significa que haverá muitos momentos em que precisamos parar por bons minutos em uma área para adquirir muita experiência e level, se quisermos prosseguir. Por isso, o verdadeiro destaque do jogo se chama Personal Life Game System (PLGS).

Créditos: Lynx Lancer Plays

No início de cada jogatina, precisamos colocar a data, a hora e a data de nascimento. Isso fará toda a diferença por conta de eventos que levam em consideração o tempo real. Quando jogador no seu aniversário, o jogo lhe dará os parabéns. Também há influencia em festivais, nos horários que as lojas abrem e os itens que elas oferecem, certos eventos especiais. Enfim, recomenda-se verificar guias sobre o PLGS para compreender bem como tudo funciona e aproveitar ao máximo o game. Ainda mais que o jogo é conhecido por ter uma quantidade gigantesca de diálogos, sendo uma das boas razões para o jogo não ter sido localizado para o ocidente. Já imaginou a demora para traduzir tudo para o inglês?

Falando em funcionar, esse detalhe do tempo e do número enorme de diálogos só são possíveis graças ao chip especial SPC7110 que já comentamos. Além de ser poderoso ao ponto de permitir um número gigantesco de sprites de inimigos, evitando repetições, esse chip tem um relógio em tempo real que resulta nos diferentes eventos. Isso também inclui os pets que há no jogo e que crescem mesmo com o console desligado. Um espetáculo, desde que a bateria interna do cartucho esteja funcional! Desnecessário lembrar que o SPC7110 encarece o produto, e isso também foi motivo para o game não chegar ao ocidente.

Créditos: Lynx Lancer Plays

Um Fantástico Visual

Review do Tengai Makyō Zero: Gráficos

O poderoso chip de Tengai Makyō Zero também possibilitou o game incluir uma variedade enorme de informações, e isso influencia nos visuais. Os gráficos são tão detalhados que é fácil confundir o game de Super Famicom com um de PlayStation ou Sega Saturn. Em especial quando notamos uma quantidade enorme de frames de animação para todos os personagens. É provável também que Tengai Makyō Zero seja o único RPG do Super Famicom em que todos os sprites dos inimigos são diferentes. Ou seja, não há meras mudanças de paletas de cores para diferenciá-los.

Outro ponto muito legal é a mudança dos mapas quando conseguimos livrar um reino dos demônios, o que mostra o nível de detalhes que a Red Company buscou em seu jogo, aproveitando ao máximo do chip à sua disposição. Um belíssimo pixel art.

Créditos: Lynx Lancer Plays

O Épico e o Cômico

Review do Tengai Makyō Zero: Música

A trilha sonora de Tengai Makyō Zero contou com muitos compositores. Entre eles, nomes como Aya Tanaka (Bomberman Jetters, Ninja Five-O), Kohei Tanaka (Alundra, Alundra 2, Legend of Legaia), Ishiro Shimakura (Saturn Bomberman, Bomberman 64, Bomberman Hero) e Keita Hoshi (Ys: Book I & II, Bomberman, Bomberman ’93, Super Bomberman 3). Vale lembrar que a Hudson Soft estava no projeto, o que explica a quantidade de Bombermans no currículo dos compositores. A temática do Japão feudal foi utilizada na música também para levar o tom épico da aventura e cômico do humor ácido característico da franquia.

Mais uma vez, o chip especial entrou em ação para que fosse possível criar uma “playlist” colossal. “Hero of Fire“, “To a New Future“, “The Final Battle” e “Animal’s God” são apenas algumas das trilhas em uma vasta lista de ótimas músicas em Tengai Makyō Zero. Vale a pena conferir.

Um dos Gigantes do SNES, Literalmente

Review do Tengai Makyō Zero: Conclusão

Neste review do Tengai Makyō Zero, vimos que ele entregou um dos cartuchos mais pesados do Super Famicom, com um chip que só foi utilizado em outros dois jogos da Hudson Soft: Momotaro Dentetsu Happy e Super Power League 4, ambos sem o relógio interno. A beleza do jogo e a criatividade do PLGS são espetaculares, mas não podemos negar que sua história extremamente clichê e o uso de uma fórmula bastante básica do gênero RPG não o colocam no mesmo patamar de títulos como Chrono Trigger ou Final Fantasy VI, por exemplo. Se for jogar, vá sem grandes expectativas e aproveite do que a direção de arte e as músicas oferecem!

Feliz aniversário de 30 anos, Tengai Makyō Zero!

Fontes: RPGGamer e JRPGC

Leia Mais: