35 Anos de StarTropics: O Zelda Americano

StarTropics foi lançado para o NES (Nintendinho) no dia 26 de dezembro de 1990 pela própria Nintendo na América do Norte. Diferentemente de grande parte dos jogos da desenvolvedora, o game de ação e aventura nunca foi lançado no Japão pelo console 8-bits e ficou limitado apenas à América do Norte e à Europa, onde chegou apenas no dia 20 de agosto de 1992. Isso se deve ao fato de StarTropics ter sido pensado muito mais para o público ocidental. A ideia fica evidente quando vemos os cenários, o estilo do protagonista e até as armas utilizadas. Curiosamente, o jogo foi desenvolvido na sede da Nintendo em Kyoto e por uma equipe liderada por Genyo Takeda, diretor responsável por lançar a franquia Punch-Out!!. Será que a ideia deu certo? Por que o game é considerado o “Zelda Americano”? Veja, a seguir, no review do StarTropics em seu aniversário de 35 anos.

Review do StarTropics
Créditos: Nintendo

Seattle, Estados Unidos

Review do StarTropics: História

A ideia de que StarTropics é voltado para o público ocidental já é mostrada logo no começo da trama. Não há castelos ou um reino mágico. Nosso protagonista, um adolescente de 15 anos chamado Mike Jones, vive em Seattle, uma cidade do estado de Washington, Estados Unidos. Um dia, ele viaja para, agora fictícia, Ilha C, localizada no Pacífico. Sua intenção era visitar seu tio, o arqueólogo Dr. Steven Jones, que havia o convidado para ir até lá. Entretanto, após encontrar com o “Chief” da vila Coralcola, ele descobre que seu tio havia desaparecido.

Armado com um ioiô especial da ilha, e parte para encontrá-lo. O começo da jornada é, de certa forma, simples, mas a trama escala de uma maneira inesperada, ao ponto de encontrarmos uma temática de ficção científica em uma ilha tropical. Essa escalada é notória quando Mike Jones descobre que seu tio foi sequestrado, simplesmente, por alienígenas. Assim, vemos naves espaciais, civilizações perdidas, artefatos mágicos. A Nintendo não poupou a criatividade aqui.

Créditos: Nintendo

O Zelda Americano e a Quebra da Quarta Parede

Review do StarTropics: Jogabilidade

StarTropics é um jogo de ação e aventura que mescla elementos de gêneros como RPG e de puzzle plataformer (quebra-cabeça de plataforma). Ele é 2D e jogado em duas perspectivas: uma visão aérea quando estamos na exploração do overworld, e a perspectiva top-down, de cima para baixo, com a câmera bem mais próxima de Mike Jones e que é muito semelhante a The Legend of Zelda (1986). A princípio, somos levados a acreditar que StarTropics é um jogo de mundo aberto, mas, na verdade, ele é dividido em capítulos, e precisamos superar um por um, de forma linear, para avançar. Para superar os capítulos, é preciso realizar muita exploração, conversando com NPCs e viajando em um submarino comandado por um robô.

Créditos: Nintendo

Após a exploração, vamos diretamente para as dungeons, que é onde StarTropics começa de verdade. Temos um sistema de movimentação baseado em grades, grid-based movement, o que significa que Mike se desloca de azulejo em azulejo para avançar pelas masmorras. O jogador logo nota que precisa se adaptar a esse novo estilo por conta do pequeno atraso proposital que há antes de Mike se movimentar e da forma como é necessário mudar a direção que o protagonista está apontando sem mudar o azulejo, pressionando o D-Pad por um breve segundo. O pulo também funciona neste sistema de grades, com o Mike pulando apenas quando há necessidade e cobrindo dois blocos ao realizar o salto.

O sistema de combate também foi construído tendo como base o grid-based movement. StarTropics foi projetado para incentivar os jogadores a observarem a forma como os inimigos agem e, assim, planejar seus movimentos de forma estratégica. É um verdadeiro jogo de quebra-cabeças e de estratégia, não um jogo com mais liberdade para a ação, como The Legend of Zelda. Assim, vemos que o “Zelda Americano” não tem essa fama por conta do combate, mas, sim, devido à estrutura de dungeons, à perspectiva da câmera e à semelhança absurda na interface no geral, com destaque para os corações idênticos aos de Zelda.

Créditos: Nintendo

Há um detalhe que também precisamos destacar em StarTropics: a quebra da quarta parede. Para zerarmos o jogo na época, precisávamos de uma carta que vinha acompanhada do jogo original e do manual. Em um momento da nossa aventura, Mike precisa sintonizar uma frequência de rádio em seu submarino para entrar em contato com seu tio. Para isso, o game pedia para o jogador mergulhar esta carta física na água. A carta em questão contava com uma tinta especial que reagia quando entrava em contato com a água e revelava um texto com a frequência que precisávamos colocar no jogo: 747 MHz.

Ao mesmo tempo que foi uma ideia genial por parte da Nintendo, também pode ter gerado muita frustração. Para começar, muitos jogadores que possuíam o jogo original e a carta não conseguiram compreender a quebra da quarta parede de imediato. Também foi o terror de locadoras e de compradores de jogos usados em uma era em que internet era luxo para poucos e que apenas revistas de games poderiam salvar. A verdade é que muitos encararam o temido “softlock“, quando travamos em um jogo e não há mais o que fazer.

Curiosidade: StarTropics foi relançado para Virtual Console de Nintendo Wii e Nintendo WiiU, e para o Nintendo Switch Online. Sem ajuda externa ou uma sorte absurda é, basicamente, impossível zerar o jogo no Nintendo Switch, pois não há como verificar a carta secreta e a frequência 747 MHz. Já no Nintendo Wii e no Nintendo WiiU, a Nintendo colocou o manual de forma digital para o jogador verificar. No meio das páginas, lá estará a carta já “molhada” com o texto secreto visível.

Créditos: Eurogamer

Nada Especial

Review do StarTropics: Gráficos

Para o ano de 1990, os gráficos de StarTropics não fazem os olhos dos jogadores brilharam. O destaque em relação aos visuais fica para as cutscenes, que contam com os personagens grandes e bem detalhados conversando com Mike Jones. A temática tropical é seguida à risca, tanto na gameplay como nas cutscenes, mesmo com os elementos de ficção científica que há no jogo. São visuais que podemos chamar de “sólidos” ao ponto de não serem o ponto alto da jogatina, mas, ao mesmo tempo, não decepcionarem de forma alguma.

Créditos: Nintendo

A Batida Tropical

Review do StarTropics: Música

O responsável pelas músicas de StarTropics foi Yoshio Hirai. O compositor japonês trabalhou em apenas dois jogos em sua curta carreira na indústria dos games. Além do próprio StarTropics, ele também foi chamado para trabalhar na sequência Zoda’s Revenge: Star Tropics II (1994). Ele fez um ótimo trabalho misturando a “paz tropical” de uma ilha com a necessidade de encarar uma aventura perigosa. Destacam-se muitas trilhas, como “Title Theme“, “World Map“, “Ocean World Map“, “Fortune Teller and Village“, “Dungeons Theme“, “Castle Theme” e “Alien Spaceship Dungeon“.

Vale a Pena?

Review do StarTropics: Conclusão

Neste review do StarTropics, vimos que se trata de um jogo que exala criatividade. Mesmo 35 anos depois, ele é capaz de cativar os jogadores com um excelente desafio recheado de humor e de mistérios. Foi mais uma prova da criatividade fora do comum da Nintendo, que continuava a entregar aventuras únicas e elementos que poucas ou, até mesmo nenhuma, desenvolvedora seria capaz de conceber, como foi a quebra da quarta parede com a mensagem secreta. O “Zelda Americano” entregou até mais do que aquilo que foi prometido.

Feliz aniversário de 35 anos, StarTropics!

Fontes: Eurogamer, Nintendo Life e IGN

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