25 Anos de Onimusha: Warlords, o “Resident Evil de samurai”
Onimusha: Warlords foi lançado pela Capcom no dia 25 de janeiro de 2001 para o PlayStation 2 no Japão. Planejado inicialmente para chegar ao PlayStation, o jogo acabou migrando para a geração seguinte e fez história ao se tornar o primeiro game de PS2 a alcançar 1 milhão de cópias vendidas. Conhecido carinhosamente como o “Resident Evil do Japão Feudal” ou “Resident Evil de Samurai”, Onimusha: Warlords foi de grande importância para mostrar ao mundo a capacidade do segundo console da Sony, com destaque para a experiência cinematográfica muito à frente a tudo o que era visto na época. A seguir, confira o review do Onimusha: Warlords em seu aniversário de 25 anos.

Um samurai no Período Sengoku
1. Review do Onimusha: Warlords – História
A trama do jogo nos coloca na pele de Samanosuke Akechi um ano depois da Batalha de Okehazama, um evento real que ocorreu no ano de 1560 durante o período Sengoku, no Japão. Samanosuke é um personagem fictício, assim como o verdadeiro começo da história de Onimusha, mas ele é inspirado em figuras históricas reais do clã Akechi. A principal inspiração é o general Akechi Mitsuhide, famoso devido ao Incidente de Honnõ-ji (1582), quando ele traiu o lendário Oda Nobunaga, que veio a falecer durante o evento. O que a Capcom fez com a trama foi o clássico “e se”, mostrando o que poderia ter acontecido se Nobunaga retornasse como uma entidade demoníaca.
Em Onimusha: Warlords, Oda Nobunaga supostamente morre na Batalha de Okehazama, embora tenha se saído vitorioso. Então, um ano depois, Samanosuke recebe uma carta da Princesa Yuki, que lhe enviara um pedido de socorro. Segundo ela, o Castelo de Inabayama havia sido tomado por forças demoníacas conhecidas como Genma e que eram lideradas por um Oda Nobunaga ressuscitado das trevas. O castelo, por sinal, também existe na vida real e, atualmente, é conhecido como Castelo de Gifu.

Em sua missão, Samanosuke tem a ajuda da kunoichi Kaede e ainda recebe uma manopla, a Oni Gautlet, que é utilizada para absorver as almas dos demônios derrotados e, como consequência, receber novos poderes. Trata-se de uma narrativa clássica, com vilões memoráveis e toda a atmosfera que mistura fatos reais com fantasia sombria e horror sobrenatural.

Resident Evil de espadas
2. Review do Onimusha: Warlords – Jogabilidade
Jogo da Capcom com características de Resident Evil? O projeto só pode ter sido liderado por Shinji Mikami, certo? Errado, mas quem dirigiu Onimusha Jun Takeuchi, que trabalhou em Resident Evil (1996) e em Resident Evil 2 (1998). Também esteve na produção Keiji Inafune, famoso por ser o principal nome por trás da franquia Mega Man, mas o game protagonizado por Samanosuke ficou com a alma do Survival Horror da Capcom. A verdade é que a ideia original de Onimusha era um literal Resident Evil no Japão feudal e no PS1, mas foi decidido pela criação de uma nova IP. A decisão se mostrou acertada, visto que o jogo virou uma trilogia muito popular nos anos 2000.
Apesar das mudanças de rumo, Onimusha apresentou as seguintes características de Resident Evil em sua jogabilidade: câmeras fixas, inimigos “grotescos” (demônios no lugar dos zumbis), o sistema semelhante de salvamento, a exploração de cenários fechados com muitos puzzles e backtracking, e o clima de tensão típico de um jogo com essa temática mais sombria. Entretanto, é claro que o game do PS2 possui sua própria identidade com os combates de espada e o sistema de absorção de almas. O destaque fica para sua mecânica central, o Issen, um recompensador contra-ataque que exige timing e habilidade do jogador.

Uma abertura de milhões
4. Review do Onimusha: Warlords – Gráficos
A espetacular introdução de Onimusha: Warlords custou milhões de dólares para a Capcom. O marketing como um todo custou algo entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões, valores que eram ainda mais impressionantes para a época. Assim, é possível imaginar o quanto a desenvolvedora queria impactar os jogadores com seus visuais, fosse na introdução ou durante a jogatina. Os cenários pré-renderizados eram muito detalhados, ao ponto de se assemelharem a pinturas a óleo. Ao mesmo tempo, os modelos dos personagens apresentavam expressões faciais e ótima sincronia labial, colocando Onimusha à frente de qualquer lançamento do PS2. Um espetáculo!

A polêmica musical
4. Review do Onimusha: Warlords – Música
Por anos, os créditos da trilha sonora de Onimusha: Warlods foi dado a Mamoru Samuragochi, um suposto compositor que alegava ser surdo e que, por isso, era conhecido como “Beethoven Japonês”. Entretanto, anos depois, descobriu-se que ele era uma farsa. Foi revelado em 2014 que Samuragochi não era surdo de verdade e que maior parte de seu trabalho realizado desde 1996 foi feito por um ghostwriter que ele contratou, o verdadeiro gênio técnico chamado Takashi Niigaki.
A revelação foi feita pelo próprio Niigaki, que alegava ter medo de destruir a carreira de Samuragochi e dizia até sofrer chantagens dele, como ameaças de suicídio. O verdadeiro compositor se cansou apenas em 2014, quando soube que as músicas do farsante seriam utilizadas até nas Olimpíadas de Inverno. O escândalo foi tão grave que a Capcom não utilizou das músicas originais no remaster de 2019, o que gerou críticas dos fãs.
Falando das músicas originais, o orquestral japonês é um espetáculo, ditando o peso de cada batalha e de cada exploração. Destacam-se músicas como Samanosuke Theme, Waterfall Mountain e Gale.
Vale a pena?
5. Review do Onimusha: Warlords – Conclusão
Onimusha: Warlords é um jogo deu aulas de como fazer um jogo espetacular sem a necessidade de coloca dezenas de horas de gameplay. Com cerca de 4 a 6 horas de jogatina, o jogo entrega uma experiência épica, com uma união praticamente perfeita entre o terror e a ação. Um fantástico primeiro passo de uma franquia que merecia ainda mais reconhecimento.
Feliz aniversário de 25 anos, Onimusha: Warlords!