35 Anos de Kabuki: Quantum Fighter: O “Teatro Cyberpunk”

Kabuki: Quantum Fighter foi lançado para o NES (Nintendinho) no dia 21 de dezembro de 1990 no Japão pela Human Entertainment. O jogo de ação e plataforma exalou criatividade e originalidade com a ideia de unir uma temática de ficção científica cyberpunk com um estilo clássico do teatro japonês, conhecido como “Kabuki“. Chamado de Jigoku Gokuraku Maru no Japão, Kabuki: Quantum Fighter foi outra ótima amostra sobre o espaço que ainda existia para extrair do hardware do NES. Mas, será que a ousadia foi o bastante para a ideia da Human Entertainment chegar ao sucesso? Confira a resposta e outros detalhes, a seguir, no review do Kabuki Quantum Fighter no aniversário de 35 anos do game.

Review do Kabuki: Quantum Fighter

Herói Digital

Review do Kabuki: Quantum Fighter: História

Como de costume na época, há censuras quando comparamos a versão japonesa, chamada de Jigoku Gokuraku Maru, e a versão americana, que recebeu o nome de Kabuki: Quantum Fighter na localização lançada em 1991. A base da história, no entanto, é a mesma. No ano de 2056, um misterioso virus de computador infectou o principal sistema de defesa da Terra. A única solução é uma tecnologia experimental que transfere o cérebro de uma pessoa para um código binário dentro deste supercomputador para que possa combater a ameaça. A pessoa em questão, o protagonista do jogo, muda entre a versão japonesa e a versão americana, sendo esta a grande censura.

A versão japonesa é considerada um derivado do filme Zipang (1990). Ela tem como protagonista um jovem de 15 anos chamado Bobby Yano. Antes de entrar no supercomputador, ele se transforma em seu ancestral samurai, Jigoku Gokurakumaru, personagem principal de Zipang e que tem como ator Masahiro Takashima. Na versão americana, o protagonista é o Coronel Scott O’Connor. Ao transferir seu cérebro para o supercomputador, ele se transforma em seu tataravô, que era um ator Kabuki. Outras referências ao filme Zipang também foram retiradas da localização.

A Arma Cabeluda

Review do Kabuki: Quantum Fighter: Jogabilidade

Kabuki: Quantum Fighter conta com um estilo clássico de ação e plataforma em 2D, com fases lineares cheias de inimigos e obstáculos, e um chefe aguardando o jogador no final de cada uma delas. O grande diferencial do game está na arma principal do herói: o cabelo (Kabuki Hair). Ao apertar o botão “B”, o jogador faz com que o herói balance o cabelo para frente como um chicote para causar danos aos inimigos. Ainda há outros dois ataques que estão presentes desde o começo da jornada: o soco (punch), utilizado quando o herói está agachado, e o chute (kick), que só pode ser usado quando se está escalando algo. Os outros movimentos precisam de “chips”, a barra de energia que aparece logo abaixo da barra de vida na interface do jogo.

  • Fireball (Energy Gun): uma arma de baixo alcance que também está presente desde o começo da jornada. Consome um chip por ataque;
  • Super Fireball (Energy Gun x2): adquirimos esta arma após superarmos a primeira fase. É uma evolução considerável da arma anterior. Em vez de lançar um pequeno projétil, a Super Fireball / Energy Gun lança três projéteis que atravessam toda a extensão da tela e causam o mesmo dano que o cabelo, soco e chute. Consome dois chips por ataque;
  • Fusion Gun: adquirimos esta arma após superarmos a segunda fase. Ela lança três grandes projéteis em três direções diferentes. Interessante recurso para atingir inimigos difíceis de alcançar. Consome dois chips por ataque;
  • Quantum Bomb: adquirirmos esta arma após superarmos a terceira fase. É, basicamente, um enorme explosivo que causa um bom dano e é muito útil para atingir um grande número de inimigos na área em que você está. Consome três chips por ataque;
  • Remote Control Bolo: adquirirmos esta arma após superarmos a quarta fase. Ao ser lançada, ela persegue o inimigo e o ataca diversas vezes por um curto período de tempo. Consome quatro chips por ataque.

Além das armas, Kabuki: Quantum Fighter também conta com alguns powerups:

  • Heart: recupera um ponto de vida;
  • Heart (piscando): recupera três pontos de vida;
  • Chip: recupera um ponto da barra de chip;
  • Chip (piscando): recupera três pontos da barra de chip;
  • 1-Up: concede uma vida extra.

Uma mecânica muito interessante e útil, caso você queira tentar zerar o jogo é a possibilidade de alternar as barras nas lutas contra os chefes. Basta apertar Start e apertar o botão para cima do D-Pad para trocar barra de chips por barra de vida, ou para baixo do D-Pad para trocar barra de vida por barras de chips. O game pode não estar nas listas dos mais difíceis da biblioteca do NES, mas ele ainda é bastante desafiador, principalmente nas áreas com muitas plataformas. Assegurar a vitória contra os chefes com essa mecânica pode evitar muitas frustrações.

Uma Complicada Concorrência

Review do Kabuki: Quantum Fighter: Gráficos

Os gráficos de Kabuki: Quantum Fighter não impressionavam na época, haja vista que estávamos no final de 1990, com o Super Famicom já a todo o vapor com jogos como Super Mario World, F-Zero e ActRaiser. As atenções já não estavam tanto para o NES, mas isso não tira o brilho do jogo da Human Entertainment. Muitos críticos na época destacaram a preocupação nos detalhes em geral, assim como os tamanhos e animações dos sprites. As cutscenes contando a história também foram de grande agrado para dar um tom cinematográfico ao game, algo que títulos como Ninja Gaiden também faziam com muita qualidade.

Um Bom Som

Review do Kabuki: Quantum Fighter: Música

A trilha sonora de Kabuki: Quantum Fighter foi composta por Masaki Hashimoto (Michael Andretti’s World GP, Monster Party) e Takahiro Wakuta (Vasteel, Kendo Rage, Chaos Break). A música do jogo é ótima, com destaque para as trilhas da primeira e da segunda fase, que fazem o trabalho de grudar na cabeça do jogador com facilidade. Talvez, o maior problema em relação à trilha sonora seja nos chefes, tanto nos chefes de fase como no chefe final. As músicas são um pouco genéricas e não conseguem entregar aquela sensação de momento épico ou de perigo e urgência na hora da batalha. Melhor ficar na trilha sonora das fases.

Conclusão

Kabuki: Quantum Fighter chegou ao NES quando o Japão já estava com o Super Famicom disponível. Era uma concorrência desleal o 8-bits contra o 16-bits. Na época, poucos queriam saber dos jogos do 8-bits da Nintendo e desejavam ver o futuro. Mesmo assim, a Human Entertainment conseguiu entregar uma boa experiência. Se seu jogo tivesse sido lançado um ano antes, talvez tivesse se tornado um título mais memorável. Apesar de tudo, ficou marcado como um dos jogos para qualquer fã de games conhecer da biblioteca dos 8-bits.

Feliz aniversário de 35 anos, Kabuki: Quantum Fighter!

Fontes: Flyingomelete, Gamefaqs e Classic Games

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