35 Anos de ActRaiser: A Fusão da Simulação com Plataforma
ActRaiser foi lançado pela Quintet para o Super Famicom no dia 16 de dezembro de 1990. Foi um dos grandes lançamentos no primeiro ano do console 16-bits da Nintendo, que também completou 35 anos em 2025. ActRaiser brilhou por ser um genial jogo híbrido entre plataforma e simulação, uma fusão nada convencional até hoje, mas que combinou perfeitamente nas mãos da Quintet. Seu estilo muito original cativou jogadores e crítica, tornando o game em um clássico praticamente instantâneo. Chegou ao mercado norte-americano para o Super Nintendo apenas em 1991, mas bem a tempo de encantar o ocidente também. A seguir, confira o review do ActRaiser em seu aniversário de 35 anos.

Guerra Contra o Maligno
Review do ActRaiser: História
A trama segue os passos de um ser divino conhecido na versão japonesa como “God” (Deus) e “The Master” (O Mestre) na versão americana. Este ser foi enfraquecido por seu arqui-inimigo, que também conta com diferenças de nomes entre as duas versões. No Japão, ele é chamado de Satan (Satanás), enquanto na versão americana, seu nome é Tanzra ou “The Evil One” (O Maligno). Tudo ocorreu em uma batalha em que Tanzra e seus seis lacaios derrotaram o Mestre, que precisou recuar para seu palácio celestial visando cuidar de seus ferimentos, mas caiu em um sono profundo.
Na ausência do Mestre, Tanzra dividiu o mundo em seis terras, uma para cada lacaio, o que acabou corrompendo as pessoas e fez cidades caírem e serem dominadas por monstros. O Mestre acorda depois de centenas de anos, mas sem seus poderes, perdidos por conta da falta de fé. Com o auxílio de seu anjo (Angel), o Mestre busca recuperar sua força para derrotar seus inimigos e guiar e proteger os poucos humanos restantes para que eles reconstruam a civilização e voltem a adorar ao Senhor.

Fica bastante evidente que a Quintet utilizou de referências bíblicas no desenvolvimento de ActRaiser. Isso também significa que a Nintendo of America, conhecida por evitar temas religiosos nos jogos, precisou censurar muitos elementos do game, além dos nomes God e Satan, já mencionados. Entre eles, estão mudanças na logo oficial na versão japonesa e a retirada das Estrelas de Davi por símbolos semelhantes a crânios para representar o lar dos monstros.
Duplo Estilo
Review do ActRaiser: Jogabilidade
A jogabilidade de ActRaiser foi, provavelmente, o ponto mais elogiado na época. A fusão entre o gênero de plataforma com o gênero de simulação foi uma decisão muito inesperada, dada as diferenças gritantes entre ambos os estilos. Entretanto, a Quintet conseguiu entregar uma experiência viciante, mesmo obrigando o fã de plataforma a aprender a jogar um jogo de simulação, e vice-versa. Entenda os dois estilos:
Fases de Ação (Plataforma)
Nestas fases, o Mestre desce à Terra em uma forma física, um guerreiro de armadura azul. Além do gênero de plataforma, temos elementos de hack’n slash, visto que a principal arma aqui é uma espada. O combate é muito desafiador, com inimigos e chefes ao final de cada fase. Após concluir uma área, o Mestre consegue banir os principais monstros da região em questão.

Fases de Simulação
Para a fase de simulação (God Sim ou “Simulador de deus”), a perspectiva muda totalmente para um mapa aéreo. O jogador passa a controlar o anjo do Master e precisa guiar o desenvolvimento da civilização para que seja possível construir casas e expandir o território. Para isso, é preciso destruir barreiras para permitir que os humanos realizem suas construções, e destruir os monstros voadores que aparecem esporadicamente. A recompensa é mais Magic Points para o Master. Quanto mais se responde às preces da população, mais os humanos ficam fortes e resistentes, o que acaba indiretamente ajudando o protagonista.

Outra Boa Demonstração dos 16-bits
Review do ActRaiser: Gráficos
ActRaiser não tinha a mesma pressão absurda que Super Mario World e F-Zero precisaram encarar no dia do lançamento do Super Famicom no Japão. Entretanto, o jogo ainda fazia parte da primeira leva de games que aumentavam a biblioteca do 16-bits. Sua missão de mostrar a potência gráfica do console foi concluída com sucesso. Para as fases de ação, os destaques ficam para os enormes sprites, que levam uma ótima sensação de profundidade e fluidez. Já nas fases de simulação, tudo foi desenhado com muito cuidado para levar um visual bastante agradável ao jogador. ActRaiser, definitivamente, não decepcionou no quesito gráfico.

Um Lendário Compositor
Review do ActRaiser: Música
Na composição de ActRaiser, um nome que dispensa qualquer apresentação: Yuzo Koshiro. O compositor ficou mais conhecido pelos seus trabalhos na principal rival da Nintendo na época, a SEGA, com destaque para The Revenge of Shinobi (1989) , Streets of Rage (1991) e Streets of Rage 2 (1993). Em ActRaiser, como esperado, Yuso Koshiro não decepcionou e entregou trilhas marcantes, fossem épicas ou, até mesmo, aconchegantes, como “Fillmore”, “Birth of the People” e “North Wall”.
O Risco Calculado
Review do ActRaiser: Conclusão
A Quintet arriscou muito com a mistura de dois gêneros extremamente diferentes entre eles. Tudo poderia dar errado, afastando os fãs de plataforma e os fãs de simulação, mas a fusão foi calculada ao ponto de a desenvolvedora ter criado um verdadeiro clássico essencial para o Super Nintendo. Ao mesmo tempo que é emocionante superar as fases de ação, é muito recompensador ver as áreas crescendo e florescendo nas fases de simulação. Um espetáculo!
Feliz aniversário de 35 anos, ActRaiser!
Fontes: RetroPlayer e Indiegamerchick