40 Anos de The Legend of Zelda: o jogo que redefiniu a liberdade nos games
The Legend of Zelda chegou ao Famicom Disk System no dia 21 de fevereiro de 1986. 40 anos atrás, os jogadores não imaginavam que ele seria o portal para uma aventura fantástica, mas também implacável, lançando o jogador “à deriva” no vasto e perigoso Reino de Hyrule. Sem mapas detalhados ou tutoriais, essa liberdade beirava a crueldade, transformando o compartilhamento de segredos entre família e amigos na primeira grande rede social dos games. O impacto para o RPG de ação e o conceito de mundo aberto foi incalculável. A seguir, confira mais sobre o impacto de The Legend of Zelda de 1986, o primeiro de muitos passos do herói Link.

A Fórmula de Anos
O Impacto de The Legend of Zelda na Receita da Série
Nos anos 80, histórias complexas e que fugissem dos clichês eram raras, e The Legend of Zelda, apesar de toda sua genialidade, não escapa disso. Sua história envolve o príncipe das trevas “Ganon“, que busca o controle de Hyrule. Ele rouba a Triforce of Power, uma relíquia triangular que conta com poderes místicos, e sequestra Zelda. A princesa, então, separa a Triforce of Wisdom em oito fragmentos e os lança em dungeons para evitar que Ganon colocasse as mãos nesse poder também. Ao mesmo tempo, Zelda envia sua confiável companheira Impa para encontrar um guerreiro com coragem e capacidade de derrotar Ganon. Este guerreiro era o nosso herói, Link, que decidiu encarar a jornada de reunir os fragmentos da Triforce of Wisdom, antes de encarar Ganon na Death Mountain.

Assim, a aventura começa, com uma espada de madeira e o desconhecido nos aguardando em Hyrule. No caminho, podemos encontrar itens como “Bombas” e a “Vela”, cruciais para revelar cavernas secretas com Rupees (o dinheiro do game), corações e lojas, que vendem itens como poções, o Blue Ring (um anel defensivo), flechas e até itens obrigatórios para superar certas dungeons, como o Enemy Bait. Nas dungeons, por sinal, há muitas passagens secretas com dicas e até lojas que aumentam o limite de bombas. Sem um guia, descobrir tudo no game beira a insanidade, mas com o tempo, a fórmula se tornou mais intuitiva.

O Mundo Aberto e o “Save”
O Impacto de The Legend of Zelda na Liberdade do Jogador
O game foi lançado inicialmente em formato de disquete, no Famicom Disk System no Japão, mas em 1987, chegou ao ocidente o cartucho para o NES. O impacto de The Legend of Zelda começava no brilho de seu cartucho dourado, mas a verdadeira revolução estava escondida em seu interior: uma bateria de lítio. Esse pequeno componente permitiu que os jogadores pudessem salvar seu progresso diretamente no cartucho, abandonando os cansativos sistemas de passwords. Ao popularizar o salvamento em RAM nos consoles domésticos, Zelda não apenas facilitou a vida do jogador; ele ajudou a estabelecer um padrão que pôde expandir para o mercado ocidental projetos igualmente ambiciosos, como os RPGs Final Fantasy e Dragon Quest (Dragon Warrior).
Para a Nintendo investir em um componente desse nível, o projeto por trás de The Legend of Zelda precisava ser igualmente ambicioso. O mundo aberto concedia liberdade total, mas cobrava um preço alto em mistérios e perigos. Em Hyrule, até o mais simples inimigo poderia ser fatal, caso o jogador baixasse a guarda. Esse risco constante de morte criava uma necessidade real de exploração, de busca por recursos e, principalmente, de compreensão do mapa. Era uma ideia espetacular no papel, mas que só se tornou viável graças ao sistema de salvamento, que permitia ao jogador aprender com seus erros e persistir em uma jornada complexa e recompensadora.

As Ideias Miyamoto
O Impacto de The Legend of Zelda e suas Inspirações
A mente por trás de The Legend of Zelda foi Shigeru Miyamoto, uma verdadeira lenda da Nintendo e da história dos videogames. Após o sucesso de Super Mario Bros. (1985), Miyamoto buscou utilizar toda a sua criatividade para entregar aos jogadores algo que remetesse às suas próprias memórias explorando florestas e cavernas em Kyoto, no Japão. Em resumo, uma exploração pura, sem mapas ou indicações sobre o caminho correto. Ele não quis, literalmente, maltratar o jogador com uma experiência hardcore; sua intenção era compartilhar sua sensação ao realizar suas próprias explorações na vida real.
E as inspirações de Miyamoto não pararam por aí. Link, com suas orelhas pontudas e túnica verde, foi assumidamente inspirado em Peter Pan da Disney. O objetivo era fazer com que os jogadores sentissem que estavam no controle de um herói fantástico antes de conhecê-lo de verdade. Por fim, a própria Princesa Zelda teve seu nome inspirado na escritora Zelda Fitzgerald, esposa de F. Scott Fitzgerald. Miyamoto buscava um nome que fosse sonoro e memorável para a sua franquia, e o nome “Zelda” não apenas o agradou, como batizou uma franquia lendária que já dura quatro décadas.

A Second Quest
O Impacto de The Legend of Zelda e sua segunda jornada
Na década de 80, era muito comum os jogos com aquele loop eterno. Finalizávamos uma vez, e o jogo recomeçava com maior dificuldade. Isso possibilitava ao jogador acumular mais pontos, o principal objetivo nos arcades da época. The Legend of Zelda tem um final, sim, mas ele introduziu a “Second Quest“, um recomeço muito mais estruturado, com diferentes caminhos e layouts, além da maior dificuldade. A parte ruim era que não havia nenhuma recompensa extra. O final era praticamente o mesmo, com a diferença de haver a mensagem “The End of The Legend of Zelda“, em vez do aviso de haver uma segunda quest, e um o Link segurando uma espada no slot de save.
Embora não tenha enormes atrativos, a Second Quest levava um bom fator replay para os jogadores mais curiosos e dedicados. Tanto que a ideia de haver uma “segunda jornada”, sem ser um mero loop de dificuldade, seria implementada em outros jogos, como em Zelda II: The Adventure of Link (1987) e The Legend of Zelda: The Wind Waker (2002). Podemos até dizer que a Second Quest é algo como o “avô” daquilo que conhecemos como “New Game+“.

Um Gênio Musical
O Impacto de The Legend of Zelda nas trilhas sonoras
O compositor de The Legend of Zelda foi o lendário Koji Kondo. Em 1986, ele já tinha seu nome creditado em jogos como Punch Out! (1984) e Super Mario Bros. (1985). Na época, seu talento já era reconhecido, principalmente com as notas inconfundíveis da trilha sonora do encanador mais famoso da cultura pop. Entretanto, seu trabalho em The Legend of Zelda contou com um detalhe que dificultou todo o processo. A ideia original era usar a obra Boléro (1928) de Maurice Ravel como tema principal do jogo, mas quando descobriram que a música não estava em domínio público, Koji Kondo precisou fazer um tema do zero em apenas um dia.
O compositor precisou de um dia somente para compor um dos temas mais memoráveis da história dos games, conhecido inicialmente como “Intro Theme” ou “Overworld Theme“. A melodia ficou tão bela que se tornou no principal tema de toda a franquia, recebendo remakes com o passar das gerações. Vale lembrar: apenas 24 horas foram necessárias para esta espetacular composição.
Conclusão
The Legend of Zelda de 1986 foi fruto da ambição e criatividade de uma equipe talentosa que se preocupava em quebrar os limites tecnológicos da época pra levar uma aventura memorável. Mesmo com uma história simples, Zelda e Link cativaram milhões de jogadores e deram início a uma série que completa 40 anos neste sábado (21). O impacto de The Legend of Zelda foi colossal, e sua marca continua a atrair novos fãs até hoje. Um feliz aniversário de 40 anos, The Legend of Zelda!
E você? Já jogou o primeiro jogo da franquia? Como foi sua experiência? Diga para nós nos comentários. Eu, por sinal, nunca tinha zerado o jogo e brinquei com ele recentemente para sentir em primeira mão a razão de ele ser um clássico. Você pode conferir o detonado no vídeo a seguir. Um forte abraço!
Fontes: Vice e Zelda Fandom