Ghetto Zombies: Graffiti Squad é divertido e estiloso, mas faltou um detalhe… Confira a análise!

Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um jogo brasileiro desenvolvido pela Fogo Games e publicado pela Nuntius Games. Antes de começarmos, deixo meu agradecimento à Nuntius por nos enviar a chave para teste. Em minha experiência, após zerar o título quatro vezes, encontrei um game extremamente divertido e cheio de personalidade. A ideia exala carisma, mas a sensação final é de que nem todo o seu potencial foi extraído. É aquele clássico exemplo de um jogo que é ótimo, mas que deixa evidente que poderia ter alcançado patamares ainda maiores. Quer entender os motivos por trás dessa minha opinião? Confira a nossa análise completa a seguir!

Ghetto Zombies: Graffiti Squad

As Inspirações de Ghetto Zombies: Graffiti Squad

Ghetto Zombies: Graffiti Squad me chamou a atenção quando li a respeito de suas inspirações: Zombies Ate My Neighbors e KND: A Turma do Bairro. O jogo de Super Nintendo e Mega Drive me cativou muito na infância. Era colorido, criativo, divertido e um desafio para poucos. Não é para menos que fiz muitas speedruns de Zombies Ate My Neighbors em meu canal “BeaRType”, como também sou conhecido. Já KND: A Turma do Bairro era um desenho clássico que não tinha medo de criar roteiros sem sentido algum, mas que ainda era capaz de levar o espectador a acompanhar a saga dos cinco protagonistas.

A união das referências levou à criação dos quatro protagonistas: Kath, Fabão, Duda e Vini. O design deles exala muita personalidade, e eles me passam a impressão de serem basicamente uma fusão dos estilos de Zombies Ate My Neighbors e A Turma do Bairro. Entretanto, aqui vai meu primeiro ponto negativo: beira o impossível os personagens nos cativarem por conta da falta de diálogos e de contexto sobre eles. Com todo o enredo da “Vila Fundinho” e a água contaminada que levou ao apocalipse, foi uma oportunidade perdida de criar um verdadeiro vínculo entre o jogador e o quarteto.

Créditos: Mega Urso Games

A gameplay é diversão pura!

Como mencionamos, Ghetto Zombies: Graffiti Squad se inspirou em Zombies Ate My Neighbors, e sua gameplay é um espelho disso. Para começar, o visual com um pixel art colorido lembra muito os cenários do game da LucasArts e Konami, assim como os sprites dos protagonistas e dos inimigos. Ao mesmo tempo, a hora da ação também entrega a inspiração do jogo 16-bits, mas com evidentes melhorias e muitas ideias originais. Para começar, o objetivo em cada área é fazer um número determinado de grafites nos muros. A razão é simples: a arte atrai os zombies para que possamos derrotá-los.

Já no combate, temos o seguinte arsenal para utilizar: pistolas, espingardas, rifles de precisão, metralhadoras, submetralhadoras e “armas especiais”. Dependendo do estilo de design da arma, elas causam efeitos diferentes, como lentidão ou dano contínuo. Na visão top-down (vista de cima), devemos controlar o personagem e a mira ao mesmo tempo. Ajuda muito o botão “R2” (do controle de PlayStation), que trava a mira no inimigo mais próximo, e o botão “X”, um dash útil para se livrar de situações complicadas, mas que consome uma barra chamada “fôlego”.

Créditos: Mega Urso Games

Na minha experiência, notei que é quase que obrigatório carregar uma metralhadora ou submetralhadora para lidar com verdadeiros exércitos em certos momentos da jogatina. Principalmente quando lidamos com as abelhas roxas e uma criatura roxa terrestre que aparece ao lado delas. Os rifles de precisão também são cruciais para eliminar inimigos problemáticos, como aqueles que lançam projéteis a longas distância. Por fim, não consigo largar as espingardas, espetaculares para lidar com poucos inimigos na curta distância. Destaco a minha favorita, a “Espingarda de Madeira”, que recarrega de forma muito veloz. É diversão garantida!

Ghetto Zombies: Graffiti Squad também oferece divertidos elementos de “RPG”, com atributos que podem ser distribuídos com base na evolução de seu personagem: Ataque, Fôlego, Agilidade e Vitalidade. Senti falta, no entanto, de ver os atributos das armas em si. É necessário testar bem as armas, antes de saber se é hora de trocar. Até hoje eu não sei o quanto vale a pena certas “armas especiais”, visto que meus testes com elas não foram lá muito bons. Seria muito legal se fosse mostrada uma tela com as informações de cada arma.

Créditos: Mega Urso Games

Faltou variedade

Como sou speedrunner de Zombies Ate My Neighbors, eu percebi centenas de vezes um ponto negativo no jogo da LucasArts: a falta de variedade nos cenários. Tecnicamente, temos variações, com bairros, jardins, shoppings, castelos, pirâmides, praias e casas abandonadas. Entretanto, a variedade some quando lembramos a quantidade de fases que há no jogo: 48 ao todo, além da fase extra que serve como créditos de encerramento. Depois da fase 20, sentimos uma repetição tremenda e cansativa em Zombies Ate My Neighbors. Este, infelizmente, também é um problema em Ghetto Zombies: Graffiti Squad.

Tudo se passa na “Vila Fundinho”, e os cenários remetem a um bairro ou uma cidade. Embora haja certas diferenças entre os cenários, alguns com trens, outros com lagos banhados pelo esgoto, alguns locais como fábricas abandonadas, a impressão que me passa em boa parte do tempo é: “Eu já não estive aqui antes?”. Obstáculos e objetivos criativos poderiam resolver o problema. Também seriam bem-vindas áreas internas, como fábricas, escolas, hospitais, igrejas, mansões, com objetivos diferentes.

Ainda falando em variedade, o chefe “Fome” foi legal no começo, mas cansou no final. Senti que os sub-bosses podiam ter tido mais carinho, em vez de tornar o Fome na praticamente única ameaça. E, falando nele, preciso destacar negativamente a última batalha por ela ser bastante inconsistente. Tive problemas na primeira vez que cheguei lá, com um bug estranho que fechava o jogo ao acionar a batalha. Depois que consegui jogá-la, senti estranheza em relação aos danos recebidos. É muito comum levar quase 50 de dano “do nada” de um projétil, e o mesmo projétil causar quase nada de dano em seguida. Sem falar que a luta é demorada em excesso, o que considerei uma dificuldade bem artificial.

Apesar de tudo, é simples compreender os padrões do “Fome Final” e derrotá-lo após bons minutos de sofrimento. Por sinal, na gameplay que realizei e está no meu canal do YouTube, encontrei um bug estranho que fazia com que eu não gastasse balas ao recarregar. Não faço ideia de como isso aconteceu. Por fim, a minha maior decepção no jogo: o final. Basicamente um “Well Done“, você conseguiu. Uma imagem rápida e fim, voltamos à tela inicial. Isso, definitivamente, não foi legal.

Créditos: Mega Urso Games

Conclusão

Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um top-down shotter muito divertido. Passei bons momentos derrubando zombies e outras criaturas com as mais variadas armas em mãos. No quesito gameplay, o jogo da Fogo Games acerta muito. Entretanto, fica a sensação de que faltaram detalhes. Um roteiro mais trabalhado para aproveitar da excelente ideia, áreas ou obstáculos mais variados para evitar exaustão com o tempo, um número maior de objetivos para complementar o grafite e chefes diferentes do “Fome”. O final boss também foi uma grande decepção no meu ponto de vista, assim como o péssimo ending. Apesar de tudo, é impossível negar que o jogo é, sim, divertido. Se não fosse, eu não teria o zerado quatro vezes. Apenas acredito que ele tinha um potencial enorme, mas que não foi extraído por completo, o que é uma pena.

Esta foi a análise de Ghetto Zombies: Graffiti Squad! Fica a minha recomendação para você adquirir o jogo assim que possível. Com toda a certeza, ele renderá algumas horas de diversão, mesmo com os problemas que ele possui. Assista também ao detonado que realizei do jogo lá no meu canal Mega Urso Games. Um abraço e até a próxima!

Sites da desenvolvedora e da publisher: Fogo Games e Nuntius Games

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