30 Anos de Final Fight 3: O Adeus da Franquia ao SNES

Final Fight 3 foi lançado pela Capcom no dia 22 de dezembro de 1995 no Japão para o Super Famicom. Mesmo com os olhos dos fãs de videogames já voltados para a nova geração, com PlayStation e Sega Saturn, a Capcom optou por oferecer mais uma dose de Final Fight para os fãs no 16-bits da Nintendo. O resultado foi um jogo com muito mais mecânicas e ideias de uma forma geral quando comparamos ao Final Fight 2 (1993). Ficaram evidentes inspirações em Super Street Fighter II Turbo (1994) e em Captain Commando (1991), dois jogos que também são conectados ao universo de Final Fight. Mas, será que foi o bastante para agradar os fãs da franquia e de beat’em ups? Veja, a seguir, no review do Final Fight 3 em seu aniversário de 30 anos.

Review do Final Fight 3

Mad Gear? Não, Skull Cross

Review do Final Fight 3: História

Os principais vilões em Final Fight sempre estiveram relacionados à gangue Mad Gear, mas em Final Fight 3, eles já foram desmantelados. No entanto, Metro City acaba sofrendo com uma nova ameaça: a gangue Skull Cross, que conquistava rapidamente o domínio na cidade. Nesse período, Guy retorna a Metro City após um período de treinamento e encontra com seu amigo e prefeito Mike Haggar. A ação começa quando a Skull Cross lança uma rebelião no centro da cidade. A dupla opta por dar uma lançou aos novos bandidos na área. Os dois ainda contam com as ajudas de Lucia, uma detetive em uma unidade especial da polícia de Metro City, e de Dean, um lutador de rua que teve sua família assassinada pela gangue.

Créditos: Long’n Play

Street Fighter e Captain Commando

Review do Final Fight 3: Jogabilidade

A Capcom não poupou nas ideias em Final Fight 3 e entregou o jogo mais complexo da trilogia. No entanto, é importante ressaltar que o game buscou inspirações não apenas em outros jogos da Capcom, mas também em jogos que fazem parte do mesmo universo: Street Fighter, mais especificamente Super Street Fighter II Turbo, e Captain Commando. Para começar, os personagens podiam correr, ou “dar dash“, um comando executado com dois toques rápidos para frente ou para trás e que já existia em Captain Commando. O ataque mudava durante a corrida, vale destacar. Esse pequeno detalhe mudou completamente o ritmo de Final Fight, levando mais dinamismo como um todo.

Em relação ao Street Fighter, tivemos uma grande inspiração: os Golpes Especiais. Os personagens possuem os famosos comandos “meia-lua” ou, em inglês, “quarter circle“. Basicamente, é como fazemos o “Hadouken” no Street Fighter. Os quatro personagens podem utilizar desse comando para realizar Golpes Especiais e o chamado “Super Move”, que só pode ser acionado quando a barra, que aparece no rodapé da tela do jogo, está cheia. Assim como os dashs, os novos golpes concederam muito mais espaço para combinações, evolução do jogador e, é claro, diversão.

Créditos: Capcom

Não podemos esquecer de outras duas boas ideias. A primeira é mais simples, mas interessante: dar aos personagens habilidades únicas com determinados objetos encontrados nas ruas. Guy, por exemplo, é especialista em nunchako, ao ponto de seus parceiros não serem capazes de utilizar da arma com a mesma maestria. Haggar sabe utilizar bem o cano de ferro, arma que se tornou marca registrada do personagem, como visto em Marvel vs Capcom 3 (2011).

Por fim, a Capcom adicionou rotas em Final Fight 3. Durante a jogatina, é possível, em certos cenários, escolher para onde ir. Por exemplo, o jogador pode encontrar o chefe “Callman” em dois lugares diferentes na segunda fase. Já na terceira fase, você pode concluir o stage facilmente se destruir um ponto de ônibus. Porém, se quiser ver o chefe verdadeiro da fase, basta manter o ponto de ônibus intacto. Há outros exemplos de rotas que engrandeceram o fator replay de Final Fight 3.

O ponto de ônibus na terceira fase. Créditos: Long ‘n Play

Um Jogo Bonito, Mas…

Review do Final Fight 3: Gráficos

Final Fight 3 tem bonitos visuais. Os cenários têm muitos detalhes, os sprites dos personagens são grandes e bem trabalhados. Para o ano de 1995, poderia ter sido melhor, mas a Capcom fez um trabalho interessante aqui. Poderia ser livre de reclamações, se não fosse por um detalhe: slowdown. O Super Nintendo não aguenta quantidades elevadas de inimigos na tela de Final Fight 3, causando lentidão e atrapalhando a jogatina.

Créditos: Capcom

Um Som Pouco Memorável

Review do Final Fight 3: Música

Um dos pontos que mais definem um bom beat’em up é sua trilha sonora. A Capcom é conhecida por criar músicas excelentes, com destaque para o já citado Street Fighter e a franquia Mega Man. Faltou um pouco de inspiração para o compositor Katsunari Kitajima (Syvalion, Marvel Super Heroes in War of the Gems). Embora a música consiga capturar o ritmo da pancadaria e a temática de certos cenários, ela não se tornou tão memorável assim. As únicas exceções são “For Metro City” e “Law and Disorder”, duas trilhas facilmente lembradas por qualquer um que tenha jogado Final Fight 3.

O Melhor da Franquia no SNES, Mas Faltou Algo

Review do Final Fight 3: Conclusão

De uma forma geral, Final Fight 3 é considerado como o melhor jogo da trilogia da Capcom no Super Nintendo. Entretanto, ele deixou a sensação de que poderia mais. A adição da Lucia foi positiva, tanto que apareceu como DLC em Street Fighter V (2016), mas o Dean é alvo de críticas de diversos jogadores por ser um personagem sem sal e esquecível. O dash, os golpes especiais, as rotas, entre outros, mostraram que a Capcom realmente tentou levar uma experiência definitiva para encerrar o ciclo com chave de ouro. Contudo, a execução poderia ter sido melhor, ainda mais levando em consideração a habilidade da desenvolvedora em criar ótimos beat’em ups. Apesar dos problemas, é um jogo bom e que merece o carinho que recebe.

Feliz aniversário de 30 anos, Final Fight 3!

Fontes: NintendoLife e Classic Games

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