30 anos de Terranigma: a obra-prima esquecida do Super Nintendo

Lançado no dia 20 de outubro de 1995 para o Super Famicom, Terranigma é o terceiro jogo de uma trilogia não-oficial da Quintet, que inclui Soul Blazer e Illusion of Gaia. Oficialmente, Terranigma nunca chegou à América do Norte, limitando-se apenas ao Japão e regiões com sistema de transmissão PAL, como a Europa. Essa limitação é um mistério até hoje e fez com que um número enorme de jogadores não pudesse conhecer uma das obras mais magníficas lançadas no final da vida do SNES. Veja mais detalhes sobre Terranigma, a seguir, em sua análise de aniversário.

Imagem de gameplay do Terranigma

História

Se você acha que Terranigma conta com um enredo clichê típico dos RPGs da época, sabia que você se enganou e muito. Críticos e fãs foram quase que unânimes: a trama de Terranigma estava bem à frente de seu tempo. Em resumo, temos como protagonista “Ark”, um jovem que vive em “Crysta”, a única vila do “Underworld”. Após abrir uma porta proibida, todos os moradores da vila são congelados com exceção do “Elder”, que guia Ark em uma jornada para ressuscitar os continentes do mundo da superfície a fim de descongelar as pessoas.

Terranigma conta com fortes referências ao planeta Terra, com mapas lembrando claramente os continentes da Ásia, Europa, América, África e Oceania. A trama age como uma espécie de recriação da Terra e de toda a história da humanidade, à medida que Ark revive os seres ao seu redor. Temas como significado da existência e sacrifício tornam a história ainda mais profunda e, como já mencionamos, à frente de seu tempo.

Jogabilidade

Terranigma é um RPG de ação em tempo real, um estilo semelhante a jogos como Secret of Mana e Zelda. Ark pode correr, saltar e desferir ataques que se diferenciam ao tipo de arma que ele utiliza. Ainda há o detalhe da diferença de ataques quando ele pula ou corre também. É possível utilizar de magias, mas o sistema envolve a coleta de itens e a utilização de Magic Rings, que podem ser objetivos nas lojas. Como um bom RPG, é possível adquirir experiência e evoluir o protagonista.

A progressão do jogo é, de certa forma, linear, mas a forma como foi aplicada é interessante por conta do objetivo de restaurar o planeta e como vemos tudo evoluir ao nosso redor. É possível afirmar que há até um toque do gênero de simulação em Terranigma, o que não é nenhum absurdo, visto que a Quintet também desenvolveu ActRaiser. Apesar de tudo, houve críticas em relação aos picos de dificuldade nos chefes, mas nada que prejudique a jogatina.

Gráficos

Terranigma é um dos últimos grandes jogos lançados para o Super Nintendo. Embora com qualidade gráfica um pouco inferior a de outros jogos de SNES de 1995, como Tales of Phantasia, Terranigma entrega um visual encantador. O destaque fica para a riqueza de detalhes em seus cenários. Tanto que é até possível dizer que seus gráficos fazem parte da narrativa, visto que o visual evolui conforme a história progride. Um espetáculo!

Música

A música, seja na melancolia ou na busca pelo tom épico, foi parte essencial para criar a magnífica atmosfera do jogo. Composta por Miyoko Takaoka e Masanori Hikishi, a trilha sonora de Terranigma é uma referência sobre como intensificar o impacto de cada cena de um jogo utilizando da música. O tema “Underworld”, em especial, é um dos melhores exemplos da trilha do game sobre como criar um som fantástico.

Conclusão

O grande defeito de Terranigma foi, simplesmente, não ter sido lançado na América do Norte. Sua qualidade é altíssima, seja na forma como aplicou o RPG de ação em tempo real ou na profundidade de sua trama, que discute temas maduros como se fosse uma grande obra literária. É muito triste ver que um jogo tão espetacular não teve o reconhecimento total merecido por conta da falta de alcance para mais jogadores. Por isso, é sempre importante espalhar a mensagem: Terranigma é uma obra prima do Super Nintendo.

Feliz aniversário, Terranigma!

Fontes: Nintendolife, Kotaku e e Sydneyretro

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