30 Anos de Secret of Evermore: o subestimado RPG ocidental

Secret of Evermore foi lançado no dia 17 de outubro de 1995 exclusivamente para o Super Nintendo. O jogo foi desenvolvido pela Square USA, a filial norte-americana da Squaresoft (antiga Square Enix), e é, até hoje, o único RPG produzido pela empresa fora do Japão. Isso explica muitas de suas características mais ocidentais, embora as comparações com o espetacular Secret of Mana (1993) sejam inevitáveis.

Também devemos lembrar que o jogo transbordou ousadia, levando um sistema profundo e uma ambientação pouco comum nos RPGs da época. Um título, lamentavelmente, subestimado até hoje. Veja mais detalhes de Secret of Evermore a seguir em sua análise de aniversário.

História: um garoto e seu cachorro

A trama começa em uma cidade chamada Podunk nos Estados Unidos, onde um garoto corre atrás de seu cachorro, que acaba o levando até uma mansão misteriosa com um laboratório escondido. O cão, ao bisbilhotar os equipamentos, acaba ativando algo desconhecido, e os dois são transportados para o mundo de “Evermore”. Este lugar é formado por reinos que representam diferentes períodos da história. Eles são:

  • Prehistoria: representando a pré-história, com homens das cavernas, dinossauros, vulcões, etc. O cachorro assume a forma de um lobo neste reino;
  • Antiqua: baseado nas civilizações antigas da Roma e do Egito. O cachorro se transforma em uma espécie de “Galgo Inglês” ao entrar neste cenário de coliseus e pirâmides;
  • Gothica: aqui chegamos à Idade Média, com todos os seus castelos e atmosfera mais sombria. A forma do cachorro aqui é de um poodle;
  • Omnitopia: um grande salto no tempo, visto que este reino representa um futuro tecnológico e que lembra uma estação espacial. Representando o cenário, o cachorro aqui se transforma em um cão robótico.

Tudo gira em torno na jornada do menino e do cachorro na luta para voltar ao mundo normal. O enredo ainda concede mais detalhes sobre aquela viagem e mostra que outras pessoas sofreram do mesmo destino dos protagonistas e ficaram presas em Evermore por conta de um acidente naquele laboratório cerca de 30 anos atrás. É um enredo interessante, com toques de humor e referências culturais.

Imagem mostrando um breve diálogo em Secret of Evermore
Créditos: Square

Jogabilidade: magia ou alquimia?

A jogabilidade de Secret of Evermore é muito semelhante à de Secret of Mana. A própria interface do jogo lembra Secret of Mana à primeira vista. De fato, ambos são RPGs de ação em tempo real, mas Secret of Evermore conta com um sistema um pouco mais profundo e estratégico. Para começar, temos a base do combate: atacamos com o garoto, e o cachorro nos auxilia. A grande novidade está no substituto do sistema de magias: o sistema de alquimia, que leva o jogador a coletar ingredientes para usar feitiços, em vez de usar mana.

A profundidade do sistema está na possibilidade de aprimorar os feitiços, o que praticamente obriga o jogador a explorar bastante para achar mais ingredientes e a testar cada um deles. O gerenciamento de tantos itens pode ser um problema, mas é gratificante a experiência de utilizá-los com o tempo.

Imagem de Secret of Evermore
Créditos: Square

Gráficos: o Secret of Mana sombrio

Mais uma vez, a comparação com Secret of Mana é inevitável. Secret of Evermore utiliza de um estilo visual muito semelhante, mas com o detalhe de levar uma ambientação muito mais sombria. Na época, era comum haver reinos coloridos e fantásticos, equilibrando com cenários mais devastados. No entanto, em Secret of Evermore, há pouco equilíbrio, e praticamente todos os reinos carregam consigo a temática um pouco mais pesada que passa a sensação de perigo e muito mistério.

Claro que isso não significa que é um jogo que causa medo ao jogador, como se fosse um jogo de terror. A temática é utilizada de forma muito agradável do começo ao fim. Destaca-se também o trabalho nos sprites, em especial nos chefes. O uso das cores foi muito elogiado pelos críticos por conta da ousadia ao deixar um pouco de lado aquele brilho fantástico, muito mais comum na época.

Imagem mostrando um chefe de Secret of Evermore
Créditos: Square

Música: sombria demais?

Provavelmente, o ponto mais discreto de Secret of Evermore. As músicas fazem o ótimo trabalho de captar a essência sombria da temática do game, mas podemos dizer que há um certo exagero. A trilha é muito mais focada na atmosfera do que nas melodias épicas, como vemos em jogos como Final Fantasy. Isso fez com que, praticamente, nenhuma música fosse realmente memorável em Secret of Evermore. Não é necessariamente ruim; apenas uma escolha de rumo.

Vale lembrar que este foi o primeiro trabalho de Jeremy Soule, um compositor muito popular e que ficou conhecido, em especial, por deixar sua marca nas franquias “The Elder Scrolls” e “Guild Wars”. Secret of Evermore foi a estreia de Soule e, apesar de tudo, é possível notar que ele tinha muito talento já em 1995.

Conclusão

Um dos RPGs mais subestimados da história. O incrível sistema de alquimia, o humor em meio à temática sombria, as referências culturas. Secret of Evermore é muito mais do que um jogo parecido com Secret of Mana. No começo de tudo, parecia que ele seria apenas uma sombra do RPG de 1993, mas não demorou para ele provar que possuía sua própria identidade. Seu charme é, simplesmente, único.

Feliz aniversário, Secret of Evermore!

Fontes: Nintendolife, RPCFan e SVG

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