30 Anos de Pokémon Red and Green: onde o fenômeno começou

O Pokémon Day é comemorado hoje, dia 27 de fevereiro de 2026. Nesta data histórica, completam-se 30 anos desde que o mundo conheceu o trabalho definitivo da Game Freak: Pokémon Red and Green, lançado no Japão para o Game Boy. O projeto era tão complexo para a época que a Nintendo ficou extremamente confusa, tamanha era a ambição do criador Satoshi Tajiri. Por sorte, os “Pocket Monsters” chegaram à tela do portátil, dando início a um fenômeno avassalador que moldaria a cultura pop mundial. Neste aniversário de 30 anos da obra, vamos conferir como foi o desenvolvimento e a recepção de Pokémon Red and Green.

Pokémon Red and Green
Créditos: Game Freak

As curiosas inspirações

Falamos recentemente aqui no Mega Urso Games sobre os 40 anos de The Legend of Zelda. Comentamos que uma das inspirações da lenda Shigeru Miyamoto envolvia suas experiências explorando florestas e cavernas em Kyoto, no Japão, sem um rumo definido. A ideia de encarar uma aventura desde estilo, sem um guia, um mapa detalhado, foi levada à risca ao The Legend of Zelda (1986). Ou seja, foi um projeto totalmente baseado nas próprias memórias de Shigeru Miyamoto. É uma história muito semelhante à de Satoshi Tajiri, que também se inspirou em suas memórias, em suas divertidas experiências da década de 1970, para começar a pensar no que viria a ser Pokémon Red and Green.

Tajiri comenta que costumava caçar insetos em sua infância. Era, basicamente, uma de suas atividades favoritas, caçar e colecionar insetos. Conforme ele cresceu, ele viu as casas e prédios tomarem o lugar das vegetações ao seu redor e, como consequência, diminuir a população de insetos. Tendo em mente que as crianças passaram a brincar mais dentro de suas casas, ele teve a ideia genial de levar o seu hobby da vida real para o mundo virtual. No caso, caçar e colecionar monstrinhos chamados “Pokémon”, abreviação de “Pocket Monsters” (monstros de bolso).

Satoshi Tajiri. Créditos: Game Freak

Fanáticos por Jogos

É muito difícil falar sobre Pokémon sem comentar a respeito da Game Freak. Tajiri sempre foi um fanático por jogos, ao ponto de até matar aulas para ir aos fliperamas de sua região. Seu conhecimento e sua paixão o levaram a criar a revista chamada “Game Freak”. Foi o toque de um mestre empreendedor que notou que a região carecia de informações sobre os games, como dicas para superar determinados títulos. Com uma pequena equipe de colaboradores, Tajiri obteve um sucesso considerável com sua revista, que chegou a vender até 10 mil cópias em uma de suas edições. Eventualmente, ele e seus companheiros perceberam que sabiam muito bem diferenciar um jogo ruim de um jogo bom. Ou seja, eles sabiam o caminho do sucesso.

Assim, a Game Freak se transformou no estúdio que conhecemos hoje, um time formado por verdadeiros fanáticos pelos videogames. A equipe estreou com Mendel Palace (1989) e se destacou nos anos seguintes por trabalhar com duas empresas que eram arquirrivais: a própria Nintendo, com os títulos Yoshi (1991) e Mario & Wario (1993), e a SEGA, com Magical Tarurutu-Kun (1992) e Pulseman (1994). O projeto “Pokémon”, entretanto, já havia se iniciado, mais especificamente em 1990. Sua ambição exigiu cerca de 6 anos de desenvolvimento, um período que quase levou a Game Freak à falência e exigiu muitos sacrifícios.

Pulseman. Créditos: Game Freak

O tortuoso caminho antes da glória

Satoshi Tajiri levou sua ideia de Pokémon em 1990 até a Nintendo, que teve dificuldades de entender aquele projeto complexo para a época. Quem compreendeu a genialidade do que estava à mesa foi, simplesmente, Shigeru Miyamoto, o “pai” de franquias como Mario, Zelda e Donkey Kong, e o nome designado pela Nintendo para supervisionar e ajudar no desenvolvimento de Pokémon como produtor. Por sinal, lembra que comentamos a respeito de Tajiri matar aulas para ir a fliperamas? Um dos jogos que ele costumava jogar nas máquinas era o Donkey Kong (1981). Naturalmente, o criador de Pokémon admirava Miyamoto e pôde aprender muito com ele durante os 6 anos de desenvolvimento do game. Infelizmente, também foi um período de muito estresse para a equipe da Game Freak.

A ambição do projeto exigia muito dinheiro, e a empresa não possuía tantos recursos assim na época. A situação ficou tão dramática que Tajiri abriu mão de seus salários para que outros membros do time pudessem ter dinheiro no final do mês. A instabilidade gerou pedidos de demissões e a necessidade de ajuda da Creatures Inc., empresa que concedeu suporte financeiro, em troca de uma fatia dos direitos de propriedade intelectual. A Nintendo também ficou com uma fatia por conta de dinheiro injetado e de recursos humanos, como o próprio Miyamoto. Após muito sofrimento, Pokémon Red and Green foi lançado no Japão para o Game Boy no dia 27 de fevereiro de 1996.

Créditos: Game Freak

O RPG e o fator social

Pokémon Red and Green é um jogo de RPG com batalhas de turnos. Controlamos o nosso protagonista, Red, pelo mapa na perspectiva top-down (visto de cima) em sua jornada para se tornar um mestre Pokémon na região de Kanto. A descrição pode até remeter a um RPG comum com estilos que existiam desde a década de 1980, mas o primeiro grande diferencial de Pokémon Red and Green era a informação dos 151 Pokémon existentes naquele mundo. O jogador encara a difícil tarefa de escolher um inicial, que pode ser Bulbassaur, Charmander ou Squirtle, mas isso é só o começo; o objetivo de encontrar todos os Pokémon e conhecer suas evoluções se torna quase que inevitável para qualquer um.

A atividade de colecionar os monstrinhos já era um espetáculo, mas o fator social elevou o título a outro patamar. Para começar, cada jogador precisava escolher uma versão: Red ou Green, cada uma com Pokémon exclusivos. É neste momento que entra em ação o “Cabo Game Link” do Game Boy. Com este acessório, é possível conectar seu Game Boy com o Game Boy do amigo para realizar trocas de Pokémon. Como era a única forma de completar a “Pokédex”, isso levou os jogadores a saírem de casa e interagirem mais nas ruas, nas escolas, nos parques e em eventos. Pokémon, assim, se tornou uma febre.

Créditos: Game Freak

A ideia da coleção ainda contou com uma surpresa que foi inserida no código do jogo no último segundo, sem o conhecimento oficial da Nintendo. O responsável pela “vigarice” foi Shigeki Morimoto, programador da Game Freak até hoje. Ele teve a excelente ideia de colocar na surdina o lendário “Mew”, o Pokémon de número 151. Como só podia ser obtido por meio de eventos, o monstrinho acabou se tornando quase que em um mito urbano, gerando inúmeros boatos e teorias sobre como capturá-lo de forma “normal”. Eventualmente, foi descoberto um glitch (erro de programação) para que qualquer um fosse capaz de ter seu Mew e completar a Pokedex.

Créditos: Pandakekok

Apenas o começo

Após tanto estresse acumulado em 6 anos, a insistência valeu a pena. Pokémon Red and Green foi um passo colossal para a criação de uma das franquias mais amadas da cultura pop. No dia 15 de dezembro de 1996, a Game Freak lançou Pokémon Blue (Pocket Monsters Blue), uma versão especial para celebrar as 1 milhão de cópias vendidas de Pokémon Red and Green. Blue também serviu como uma versão aprimorada, melhorando os gráficos e resolvendo certos glitches descobertos na versão original. Pokémon Red and Blue chegou a ocidente apenas no dia 28 de setembro de 1998.

Naquele período, a marca já expandia seu domínio com o TCG (Trading Card Game), seu mangá (Pokémon Adventures) e o anime protagonizado por Ash Ketchum. A fama da marca se tornou tão avassaladora que, hoje, é difícil qualquer pessoa não conhecer o Pikachu. Tudo isso só foi possível graças à visão de Satoshi Tajiri e o esforço descomunal dele e de sua equipe e tornar um projeto tão ambicioso em realidade. Feliz aniversário de 30 anos, Pokémon Red and Green!

Fontes: Remptongames, Fandomwire e Gamespot

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